Nietzsche

""Como é que se deve subir a encosta?" Simplesmente sobe e não penses nisso!" [Nietzsche]

Manoel de Barros

"Nasci para administrar o à-toa, o em vão, o inútil." [Manoel de Barros]

sábado, 30 de agosto de 2014

Suprema insensatez




São minhas lembranças, elas me perturbam a muito. O privilegio dos esquecidos é não sofrer com o passado. O que eu queria para esse ano era a tranquilidade dentro da simplicidade que eu mesmo moldei e não por acaso resisti bravamente aos conquistadores e aproveitadores de baixo escalão que a sociedade ejacula todos os dias para nós sufocar.

Nesse momento só a paz interessa-me, a paz de espírito esclarecedora das ideias, que enobrece e simplifica o próprio ser enquanto fazedor e transformador, enquanto virgula e ponto de um contexto fundamental para existência.

Esclareço que são tempos doentios e barulhentos, não existe mais o degaste natural das coisas aceleram-se tudo para satisfazer uma ansiedade manipulada seja por vícios, seja por banalidades, seja por promiscuidade. O ser humano, falo da ralé que é maioria absoluta, esses estão a um passo da suprema insensatez.

O mundo é um sublime e profundo cansaço.

21/07/2014

sábado, 16 de agosto de 2014

O céu da cidade



O mundo desabando lentamente.
A endorfina no corpo se mistura a letargia dos pensamentos eufóricos por equilíbrio e caminhos sem pedras. O céu escurecendo muda a paisagem celestial entre selvas de pedras mesmo assim continuo a navegar por entre sombras de um mundo congestionado. Em direção ao céu azul do outro lado da cidade onde as ondulações prediais diminuem bruscamente e abrem passagem para as nuvens que se movimentam modelando-se em figuras e formas, em monstros, fantasmas, sólidos geométricos. Olhando para o céu eu vi o mundo inclinando-se.

domingo, 10 de agosto de 2014

O ser em movimento


Percorrer a cidade de bicicleta a tardinha ainda gera um certo prazer, não tanto pela eufórica adrenalina que percorre minhas veias a ponto de explodir, mas pela sensação de invencibilidade. Cérebro e músculos trabalham compassivamente para saúde físico-mental do ser em movimento.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A liberdade está por ai nas estradas


Pelas estradas desse país tem sempre algum homem livre andando, procurando esgotar a vida a sua própria maneira caminhando para onde leva os pensamentos. Vejo todos os dias seres mendigando nas cidades ao em vez de ir buscar sua liberdade por ai. A estrada, a trilha, as curvas, o infinito esqueça a bussola tome qualquer direção e seja feliz. A liberdade do espírito é o importante nesses tempos cruéis de supressão da solidão.  

domingo, 3 de agosto de 2014

O que eu preciso é de uma "infinita highway"


"Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo desta estrada
Olhe só! Veja você
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor
Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava
E, à noite, eu acordava banhado em suor"
(Engenheiros do Hawaii)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Não nasci para acumular o superfulo


Todos os meus amigos adquiriram bens de valores consideráveis.
eles construíram com isso um pensamento de superioridade em relação a mim. 
O ato de possuir e acumular coisas eram e são para eles
o medidor oficial de superioridade e de evolução na vida. 
Acho que faltou ambição na parte intermediaria da minha meia vida
E eu agradeço pela distração do destino.
Jamais serei colecionador de objetos inúteis
Todo ser humano deveria tomar para si
A atração da espiritualidade para com o próximo.
Minha superioridade reside neste fato
Meus antigos amigos não devem saber, mas não uso
Do poder de compra para adquirir, adquirir e adquirir coisas
Há ainda necessidades maiores com que se preocupar.
Comprar não é o meu forte
eu prefiro ainda desfazer do que já possuo em demasia
Não nasci para acumular o supérfluo,
Tenho pelas coisas materiais de maior valor
Um desapego profundo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Natureza


É a sua proximidade da natureza o ponto de encontro com a criticidade que a envolve. Toda grande ação nasce da relação de um ser com outro, saber dos movimentos e dos atalhos, saber das armadilhas e das próprias sistematicidades do meio. Na verdade conhecendo-a saberemos até onde podemos chegar, até onde podemos encarar. Só a natureza torna um semblante amargurado em um semblante doce e acalantado.    

sábado, 19 de julho de 2014

Curto esperar



A seis meses da minha partida começo a pensar mais nas dificuldades que vou encontrar do que nas descobertas depois de cada curva, em cada curva existe uma possibilidade de algo novo ou apenas uma curva que direcionara para outro rumo, uma nova rota. Enfim! O que se passa na cabeça de alguém acostumado a dormir em baixo do seu próprio teto, sem sentir frio porque há um cobertor do lado para cobri-se, sem sentir fome. Mas na verdade todo esse simplíssimo conforto entedia-me, a sombra e o conforto endurece e entedia o espírito do homem. Tenho inteiramente consciência que vou passar por intensos apuros, mas sei também das descobertas e desafios que irão me encher de alegria. Já não é hora de sentir medo, o tempo engole os anos e a vida encurta como um pavio em chamas, é preciso ser mais rápido ou pelo menos se aproximar da velocidade com que a chama percorre o curto pavio. Quando eu partir será com a convicção do novo tempero para o meu viver, uma nova fórmula para um novo despontar de cada manhã. Eis onde começa um novo amanhã, em dezembro só olharei para traz com o intuito de ver a estrada prolonga-se para traz. É hora de fazer o próprio destino.

Dois passos para liberdade, dois passos para uma loucura consciente.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

O que mais preciso está por ai à toa



Olhando para a estrutura genealógica da minha família percebo que nasci ao contrário, eles ainda me olham desabitando-me do meu próprio ser. Existe uma coisa urgente a fazer desfazê-me das coisas sem importância que rege o mundo destrutivo. Preciso da estrada que prolonga infinitamente, preciso das curvas que modifica a direção, preciso está sempre indo, sou um indivíduo sem ambição e indivíduos sem ambição não se prostitui com as leis consumistas. Não, de forma alguma que preciso acumular coisas para ser feliz, a minha felicidade esta em caminhar ao lado da natureza verdejante de algum lugar seguindo um caminho contrario, para adiante sempre para adiante.

A grande façanha, libertar a alma desse espaço que nos aprisiona a cada dia. Temos que aprender a buscar aquilo que faz o espirito dançar continuamente, temos que contornar as sombras dos espíritos das margens sombrias dos pântanos cheios de demagogias baratas. Só o coração livre sabe a medida para cada emoção.

domingo, 4 de maio de 2014

"O andarilho"

Só a natureza e a estrada sem fim enobrece e liberta o ser andante.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma pequena jornada


Acordar cedinho pegar a bike e pedalar 80 km, três horas e meia BR 235 e depois BR 101, ladeiras e subidas intercalando em toda extensão dos 40 km que liga Aracaju a Itaporanga D’ajuda. O suor vai escorrendo do rosto, transpiração ofegante, mochila pesando uns 15 kg nas costas, os caminhões em alta velocidade passam quase te levando com o vento que segue na mesma direção e velocidade. Nada é mais fantástico do que descer uma ladeira de 3 km, depois de ter subido uma de 2 km, é nesse momento de descida que a uma transformação total no seu espírito aventureiro, nesse momento eu posso ensinar como torna-se livre, como tocar a liberdade de uma forma impensável como uma experiência entre natureza e homem, num jogo de interação e de equilíbrio das forças entre corpo e aerodinâmica, entre suor e asfalto, entre espírito e sabedoria. 


Um momento para hidratação e descanso na cidade de Itaporanga D’ajuda, enquanto funcionários públicos varrem a praça descanso sabendo que tenho mais 40 km de pedaladas, mas e eles os funcionários públicos quantos quilômetros ainda faltam para perceberem a existência de vida mais a frente, varrer rua é uma necessidade urbana, mas varrer o nosso espírito é uma obrigação por que dele prescinde a coragem necessária para varrer o mundo. 


A estratégia agora é seguir de itaporanga D’ajuda até Gravata um pequeno povoado divisa com Lagarto distante 40 km, estradas péssimas, o atrito do pneu com o asfalto antigo deixa a bicicleta pesada, a estrada íngreme e desértica a maior parte do percurso, o que é bom por que ouve-se com frequência a orquestra do brejo composta pelos grilos que entoam uma nota só, pelas cigarras zunido longamente e para terminar o afinado cantos dos pássaros. Na verdade a orquestra dos brejos é a coisa mais incrível de se ouvir. Depois de passar pelos brejos ao atravessar os povoados as pessoas te olham com aquele olhar alumbrado de quem avista um forasteiro, eles transmitem um olhar de quem sabe que nunca fará uma grade viagem dessas, mas que admira a coragem e a determinação do mochileiro. 


A chegada é a conquista maior, o prêmio, o grande troféu é o descanso em uma bela varanda onde o vento canta uma canção de ninar ao mesmo tempo em que balança a rede e você dorme até o finalzinho de tarde quando o próprio vento te acorda com uma rajada fria. Agora começa a preparação para volta com muita fibras, água e mais muito mais descanso.

O mundo é maior do que imaginamos e não precisamos de forma alguma pagar pedágio para conhecê-lo.

É a força que nos conduz para onde quisermos da forma que bem entendemos.

Não vou jamais parar porque alguém diz que é loucura.

Até mais com a próxima aventura, pois o objetivo é sempre surpreender. A saúde da mente e do corpo são peças fundamentais para uma boa jornada, nunca esqueça. Sejamos complacentes!!!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sob a sombra de uma castanheira



Às vezes eu preciso parar em qualquer ponto da cidade por pura vontade de observação, eis a vantagem de circular de bicicleta você pode estacionar e observar o imenso vale de concreto por sob a cabeça. Parei em baixo de um pé de castanheira, não existe na cidade de Aracaju sombra mais fantástica que a sombra desse pé de castanheira, virou meu ponto principal de parada, de descanso, de fadiga depois de quarenta minutos de pedal. Numa dessas paradas passei a observar os prédios em construção e também os já construídos e a pergunta que me fiz foi: de onde vem tanta areia para construir tantos arranhas-céus?

A cidade se transformando em um imenso vale de concreto, sinto o cheiro massante do cimento recém grudado na parede, o cheiro do urbanismo sendo modificando para inchar ainda mais, inchar de vida humana. Ouço de longe os ruídos dos martelos, das pás, das maquinas, dos peões uma verdadeira orquestra da construção afinada para acordar o amanhã. Percorro de bicicleta toda Aracaju e só o que ouço são batidas de martelos anunciando o inicio, o meio ou fim de uma construção, o martelo é o instrumento mestre dos vales de concreto. De onde vem a areia eu não sei, o que sei é dessa maravilhosa sombra que um dia deixará de existir para dar lugar a outra sombra só que de concreto.

sábado, 12 de abril de 2014

O começo da grande saga


Daqui por diante começo a me preparar para um projeto, um grande sonho que venho imaginando desde 2012. Dar a volta ao Brasil em cima de uma bicicleta comum, a minha bicicleta. Sem planos, objetivos, estrategias deixarei isso com os homens de negócio. Simplesmente sairei numa manhã de um dia qualquer de dezembro, sem pressa, no meu ritmo, em cada pedalada para ver o mundo em cima duas rodas. A ideia é chegar ao sul passando por Bahia, Tocantins, Brasilia, Minas Gerais, São Paulo, Parana, Santa Catarina e por fim Rio Grande do Sul onde permanecerei por alguns meses, depois retornarei pelo outro lado do Brasil, pela transamazônica, percorrendo todo nordeste e sua costa litorânea  para enfim chegar ao ponto de partida. 

Como esse projeto só acontecerá em dezembro mês em que receberei meu diploma de licenciatura em matemática. Até lá tenho que me contentar com as ruas de Aracaju, e com 80 km, quatro horas de pedalada até um interiorzinho de Itaporanga D'ajuda onde meus pais moram. Esse último o de maior preparo onde colocarei em jogo minha resistência e minha coragem para enfrentar adversidades. 


Vamos que vamos! Porque como diz o Marcelo Jeneci "o melhor da vida sempre vem de graça", então aproveitar para deixar eternizado alguma coisa que se possa alumbrar os ouvidos outrora. 


Ainda é do vento contra que tenho medo. Que os ventos até dezembro estejam a favor. 


Até mais!